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Testagem permanente de empregados é importante ferramenta no combate à pandemia de covid-19 na CSP

Empresa já fez mais de 2000 testes em seus empregados, para identificar imunizados e cuidar dos infectados, não permitindo que o vírus circule na empresa

Aos poucos, começam a serem retomadas as atividades econômicas que estavam paralisadas em função da pandemia de Covid-19. Mas, na CSP, o home office – desde 20 de março – para a área administrativa e o contingente mínimo presencial para a manutenção das atividades operacionais continuam, além de todas as mais de 30 ações internas e externas para combater o novo coronavírus. Entre essas ações está a testagem permanente e crescente dos empregados da empresa.

A CSP não parou, pois está autorizada a operar em função de ter um Alto-Forno, gerar energia para o Sistema Interligado Nacional (SIN) e oxigênio hospitalar, por meio da sua terceirizada White Martins. A estratégia, então, para ter um funcionamento seguro é realizar a testagem – desde o dia 1º de maio -, quarentena dos contaminados, rastreamento das pessoas com quem tiveram contacto físico, desinfecção das áreas por onde passaram e tratamento precoce dos sintomáticos. Tudo com base nas orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e já atestado por países que conseguiram controlar a doença, como Nova Zelândia, Portugal e Alemanha.

Sobre este assunto da testagem, entrevistamos o médico Ricardo Galli, gerente de Saúde e Qualidade de Vida da CSP. Confira.

Os testes estão sendo aplicados em todos os empregados?

Ricardo Galli – É importante entender as fases pelas quais já passamos. Em um primeiro momento, que teve início no dia 1º de maio, os testes estavam sendo aplicados em empregados que apresentavam sintomas suspeitos de Covid-19 e, por este motivo, estavam afastados em observação, eram de grupo de risco ou apresentavam quadros mais graves. Isso permitiu diagnósticos mais precisos, tratamentos precoces para evitar complicações, assim como reduziu o número de empregados afastados.

Neste mês de junho, partimos para um segundo movimento: testar todo o efetivo da produção que está atuando presencialmente na CSP. Essa testagem ocorrerá em ciclos, com intervalos de dez dias, sendo repetida nos empregados cujos resultados deram negativo para a Covid-19. Com isso, estaremos identificando casos assintomáticos com o vírus ativo, ou seja, ainda passível de transmitir a doença para outras pessoas; assim como casos de quem teve a infecção sem apresentar sintomas, já apresenta imunidade e não transmite mais o vírus. Ao todo, já foram aplicados mais de 1.900 testes até 17/6). Os resultados desses testes serão a base que vai orientar nossos próximos passos.

Qual o índice desses empregados que já estão imunizados. Ou seja, que já tiveram Covid-19 e não transmitem mais o vírus?

Ricardo Galli – Nós temos, hoje, mais de 450 (até 17/6) empregados comprovadamente imunizados. Isso significa que esses empregados tiveram a doença e estão curados. Parte deles apresentou sintomas, fez o tratamento e está plenamente recuperado. A maior parte não apresentou nenhum sintoma, os chamados assintomáticos, que só descobriram que já estava imunizados com a realização do teste.

Que tipos de testes estão sendo aplicados na CSP?

Ricardo Galli – O exame realizado na CSP é o de sorologia, que identifica por meio da coleta de amostras de sangue dois tipos de anticorpos: IgM e IgG. Basicamente, esse tipo de exame não detecta o vírus, mas aponta se a pessoa já teve ou não contato com o vírus, se foi ou não infectado. No entanto, este teste só apresenta resultado significativo se feito alguns dias depois do contato, tempo necessário para o organismo gerar anticorpos em número suficiente para serem detectados pelo teste (a chamada janela imunológica). É por isso que, em empregados que apresentam sintomas, o teste só é realizado a partir do sétimo dia, depois do início dos sintomas. E é também por este motivo que os testes serão reaplicados em ciclo de dez dias no efetivo da produção.

Como é o processo de realização do teste?

Ricardo Galli – Os testes estão sendo aplicados no Centro de Saúde Ocupacional (CSO) e nas próprias áreas, o que reduz a circulação dos empregados. A aplicação dos testes acontece em dia e horário previamente divulgado pela área de Saúde. O primeiro ciclo ocorreu de 1 a 9 de junho. Em breve anunciaremos a data do próximo ciclo, que continuará com o foco nos empregados da produção que estão trabalhando presencialmente na usina e, no primeiro ciclo, testaram negativo para o vírus.

Quem já teve a doença, os imunizados, pelo observado até agora, não corre o risco de contrair Covid-19 novamente. Isso significa que essa pessoa pode relaxar com as medidas preventivas?

Ricardo Galli – Não. Apesar do risco de contrair a doença não existir, a pessoa pode servir de vetor para a transmissão da doença às pessoas suscetíveis, por este motivo, deve manter os cuidados de higiene e distanciamento social.

No Ceará, o Governo tem anunciado a redução por necessidade de internamentos. Tivemos alguns casos na CSP de empregados internados. Como está esse quadro e no que os testes podem ajudar para evitar novas internações?

Ricardo Galli – Tivemos seis casos de empregados internados por COVID-19. Alguns deles precisaram ficar em UTI e quatro necessitaram do uso de ventilação mecânica. Quatro empregados já receberam alta e estão se recuperando em casa com a família e, atualmente, temos um empregado internado em apartamento e um em UTI com ventilação mecânica. A realização dos testes tem possibilitado a identificação precoce dos casos, permitindo que os médicos da CSP iniciem, de imediato, o tratamento, evitando que os pacientes desenvolvam formas graves da doença.

Mais informações

Nos testes que estão sendo realizados na CSP, há quatro resultados possíveis:

1 – Se ambos – IgG e IgM – acusarem resultado negativo significa que não houve infecção por Covid-19 e aquela pessoa ainda está passível de ser contaminada.

2 – Se ambos – IgG e IgM – derem positivo, significa que houve ou ainda há infecção. Nesse caso, se o empregado está assintomático significa que ele está curado e não transmite mais. Caso ele esteja apresentando algum sintoma, ele ainda pode estar transmitindo o vírus e, portanto, deve ser afastado e acompanhado pela área médica.

3 – Se o IgG der negativo e o e IgM positivo, o empregado está com o vírus ativo. Quando identificado esses casos, o empregado é afastado imediatamente, recebendo todas as orientações para seguir o tratamento em isolamento domiciliar. Também são mapeados empregados que possam ter tido contato com ele recentemente.

4 – Se o IgG der positivo e o e IgM negativo, significa que o empregado que já teve a infecção e apresenta imunidade contra o Covid-19. Ele já não transmite mais o vírus e pode continuar trabalhando com total segurança. Na maioria desses casos, foram quadros assintomáticos. Ou seja, tiveram a Covid-19 sem apresentar sintomas.

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