Natália Kogake tornou-se mãe de coração, após duros desafios e escolhas – CSP

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Natália Kogake tornou-se mãe de coração, após duros desafios e escolhas

A história que você vai conhecer tem final feliz, mas até chegar ao sorriso e choro de alívio, teve muita lágrima de tristeza. É um filme da vida real que aconteceu com a Natália Kogake, nossa assistente administrativa na Oficina Central há seis anos.

A entrevista para conhecermos a história da maternidade da Natália foi dia 27 de abril, coincidentemente, o aniversário do seu filho. E já estava tudo pronto pra festa dele, quando chegasse da escola, com decoração do super-herói Flash, fantasia e tudo. Mal começou a conversa e Natália já demonstrava emoção. Agora você vai entender o porquê.

A GRAVIDEZ

Após se casar com Rafael Kogake em 2015, ambos vieram de Volta Redonda (RJ) para Fortaleza (CE), trabalhar na CSP. Entre os padrinhos de casamento estavam o irmão de Rafael, o Lioji, e sua esposa, a Bruna. Os quatro eram muito próximos e se falavam todos os dias. Natália estava decidida e combinada com Rafael de não ter filhos. Ao contrário dela, Bruna sonhava em ser mãe e engravidou em setembro de 2015 do seu primeiro filho.

Rafael e Natália seriam os padrinhos de batismo da criança, que teria o mesmo nome do pai, Lioji.

Depois que ele nasceu, um dia, a Bruna me ligou e disse que queria me dar um presente. Era o umbigo do Liojinho, que tinha caído e ela queria que guardássemos em Fortaleza pra levar no aniversário de um ano. Eu achei interessante, né? De ela querer me dar um presente tão simbólico assim. Mas eu aceitei, fui visitar a criança e trouxe o umbigo e a gente continuava conversando todos os dias”, relembra Natália.

SEM APEGO

Bruna sempre dizia a Natália que não queria Liojinho apegado demais a ela, que deveria se acostumar com todo mundo. Também dizia muito à amiga que estava segura de ter escolhido os padrinhos corretos, pois sabia que cuidariam da criança em alguma necessidade, até pela função de padrinhos na cultura cristã, de assumir os lugares dos pais, quando preciso. “Ela falava muito isso pra todo mundo, mas nunca se imaginaria que aconteceria nada, pois são pessoas jovens e estava tudo bem”.

A PERDA

No dia 27 de abril de 2017, Natália voltava da CSP no final da tarde e, no ônibus da rota, conversava com Bruna sobre o cardápio do aniversário de um ano de Liojinho. A ligação caiu e Natália adormeceu. “Quando eu cheguei e desci da rota, por volta das 18h15, mais ou menos, ela tinha me mandado uma pergunta e eu respondi. Mas a mensagem não chegou. Imaginei que a bateria dela tivesse acabado”, conta.

Pouco mais de 19h, Rafael liga para Natália e pede pra ela se sentar. Foi quando informou que Bruna, Lioji e Liojinho tinham sofrido um grave acidente de carro. Bruna havia falecido e Lioji havia sido socorrido em estado grave. A cadeirinha de segurança de Liojinho havia sido destruída. A criança foi encontrada embaixo de muito vidro quebrado chorando muito, mas não sofreu nenhum arranhão. O mesmo dia 27 de abril da nossa entrevista é o aniversário de Liojinho e foi o dia do acidente no qual a mãe faleceu e, alguns meses depois, também o pai.

Antes falecer, Lioji ligou pro Rafael, falou que amava ele, não gostaria de ver ele triste e queria deixar algumas recomendações, as quais já tinha falado para a mãe deles. Gostaria que, na ausência dele, nós assumiríamos os cuidados com o Liojinho”, conta Natália, emocionada.

O ACEITE

Após dias bastante reflexivos, com perdas, aniversário, o futuro de uma criança e uma grande responsabilidade surgindo, a decisão foi de encarar esse chamado com toda força e amor. “Eu não tinha dúvida do que fazer, mas deu muito medo. Nesse momento, o meu desejo de não ter filhos foi suprido por uma promessa que eu fiz. Foi uma mudança radical de vida, radical”, comenta.

Superadas as longas e desgastantes questões jurídicas, o casal ganhou a guarda provisória de Lioji Kogake em setembro de 2018, mês também em que Liojinho veio morar em Fortaleza com Natália e Rafael, onde agora dividem a vida sob o mesmo lar.

DOIS PAIS E DUAS MÃES

Natália conta que os pais biológicos estão sempre presentes nas atividades da escola, nas datas comemorativas, em fotos e história. Liojinho terá sempre a lembrança deles. Ela costuma dizer que ele tem dois pais e duas mães. Não faz muito tempo que Liojinho chama Natália de mãe e Rafael de pai. Ela estranhou, no começo, mas foi uma qualificação espontânea de Lioji, pois é a relação de mãe e filho o que de fato foi sendo construída. Mãe de coração.

Ela ressalta que o acompanhamento de profissionais de psicologia e o apoio incansável da área de Saúde e Qualidade de Vida da CSP têm sido essenciais para a adaptação de Liojinho e deles também nessa nova jornada que assumiram.

A gente brinca que ele é o presente de Deus na minha vida. Eu acredito que ele é minha evolução espiritual. O meu aprendizado na terra, por tudo que ele representa. Diante de tudo o que aconteceu, de todo o contexto, de toda a história, não poderia ser diferente. Quando pergunta assim: você gostaria de ter outros filhos? Não. Eu sou realizada. Da minha função com ele, sendo tia, madrinha e mãe. Se ele me enxerga como mãe, eu aceito.

Neste mais recente aniversário de Liojinho, dia em que conversamos com Natália, a criança colocou o uniforme do Flash e consolidou o adjetivo do qual o casal já havia se vestido quando assumiu a criação da criança: super-heróis da vida real. Natália, Feliz Dia das Mães!

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