Vanessa é um anjo que percorre São Gonçalo do Amarante para acolher mães e filhos contra a Covid-19 – CSP

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Vanessa é um anjo que percorre São Gonçalo do Amarante para acolher mães e filhos contra a Covid-19

Ela cuida de si, do filho, de outras mães e dos filhos de outras mães. Ela é de Caucaia, mas escolheu viver no que é hoje a comunidade de Parada, em São Gonçalo do Amarante, há cerca de 17 anos. É chamada de “anjo” por quem venceu a Covid-19 com a sua ajuda, mas seu nome é Vanessa Lopes de Araújo. Aos 40 anos, ela comemora duplamente o mês de maio: celebrando o Dia das Mães e o aniversário de 15 anos do seu filho único, o Arthur.

Depois que me casei, em 2003, passamos três anos planejando a chegada dele. Então, em 1º de maio de 2006, eu tive o meu filho. Ele é a razão da minha vida, é meu amor e me preenche. Ser mãe, pra mim, é uma coisa única“, conta Vanessa. Além de um filho, ela ganhou também novas perspectivas.

Ele me trouxe muita garra e me mostrou que eu teria que ser resiliente todos os dias, não só por mim, como mulher, mas também pra passar pra ele. Ele depende de mim, né? Eu não tive outro filho, porque o amor dele me preencheu. E em tudo o que eu faço, sempre o objetivo final é ele“, compartilha.

MÃE DO CUIDADO

A Vanessa atua em duas profissões, na linha de frente de combate à pandemia da Covid-19: agente comunitária de saúde, percorrendo as comunidades, e técnica em Enfermagem, atuando também ala Covid-19 do hospital de São Gonçalo do Amarante. As missões diárias permitem que ela veja as dificuldades cotidianas das mães em casa e as suas aflições quando recorrem à unidade de saúde.

Nesse momento de pandemia, as mães têm se desdobrado. Elas têm virado umas super-heroínas. É complicado, mas tá dando certo“, conta a profissional de saúde, relembrando a assistência e orientação dada às gestantes, às mulheres com filhos pequenos e às pessoas que formam suas redes de apoio.

Em sua realidade cotidiana, a pandemia demandou esforços extras para a proteção de seu esposo e de seu filho. “O meu desafio é o cuidado que preciso ter quando chego em casa do hospital ou da minha área de atuação como agente comunitária. Tenho que fazer todo um trajeto por trás da minha casa, deixar todos os meus pertences em um local – roupa e chinelos, entrar e me higienizar. Chego em casa de manhã, porque trabalho à noite, e não posso ir lá ver meu filho logo, e dar um bom dia pra ele. A gente se mantém ao máximo afastado, e ele tem que ficar no canto dele. A gente só tem contato depois da higienização, pra que a gente tenha um pouco de segurança“, relata.

A Vanessa, agora, já está vacinada. Todos os cuidados preventivos valeram a pena: evitaram que ela fosse contaminada e também protegeu a sua família. “Isso me dá uma tranquilidade maior pra poder fazer as visitas, atender as gestantes e as puérperas, poder levar alguma medicação e informação pra quem precisa. Meu sentimento é de gratidão, por poder estar na linha de frente, ajudando as pessoas“.

MÃE DE GRATIDÃO

Ela já vivenciou muitas situações emocionantes durante a pandemia, e uma delas foi na UTI do hospital, na ala Covid. “Lá, a gente vivenciou muitas histórias, e uma delas, bem forte, foi com uma paciente que atendi e depois reencontrei. Coincidentemente, ela mora na minha área de território de agente comunitária de saúde. Quando ela me viu, me agradeceu demais, e isso fica muito marcado em nós. Porque a gente vê as pessoas tão debilitadas e, quando elas voltam ao seu estado normal, elas lhe agradecem. As palavras dela foram ‘você foi um anjo na minha vida, naquele momento’. Pra mim, isso foi muito gratificante“.

Para todas as mães – que enfrentam em diferentes graus dificuldades semelhantes, ela dá um recado. “Eu quero dizer que elas continuem sendo fortes, sendo mães. Cada uma faz o diferencial na vida dos seus filhos. Eu me espelho em cada uma delas quando eu vejo a fortaleza delas, defendendo seus filhos, lutando até o fim. E elas fazem de tudo, se desdobram. Para as mães que eu vejo que choram e estão ansiosas, mas que não desistem dos seus filhos, eu quero dar os parabéns, dizer que elas são únicas, que são resilientes, são fortes, corajosas e que permaneçam nessa garra e determinação, porque Mãe é Mãe“.

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